Klank, o anão

imagem retirada do google

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Nascera como todos os outros. Fora tirado da terra macia com delicadeza por um mineiro. Não gritará, nem abrira os olhos ao sentir o frio úmido da caverna, só soltou duas lágrimas de ouro que logo endureceram em suas bochechas rosadas. O mineiro limpou as gotinhas douradas do rosto da criança, tratou-as com mais delicadeza do que do próprio bebe. Guardou aquelas preciosidades em um bolso secreto em sua calça, esse era o premio por achar pequenos anões. Se aparecesse com as lagrimas de ouro sem o bebê, seria morto. Tudo tinha um preço.

Só depois começou a tomar conta daquela pequena pepita de gente, suja de lama e poeira. O bebe estava preso entre as pedras então o mineiro pegou a trincha e o martelo para começar a tirá-lo dali, mas não foi fácil, mesmo após cavar tudo em volta, pedra e terra, o bebe continuava pendurado pelas costas. Havia algo o segurando. O mineiro coçou a testa calculando quanto já teria escavado se não tivesse que se dedicar a isso, depois lembrou das lagrimas de ouro, e havia duas delas! era comum haver só uma. Suspirou, e começou a cavar um pouco mais para trás do bebe até tocar algo duro de mais para ser uma pedra.

O processo de escavação levou um bom tempo, mais do que esperava e acabou revelando algo que não aprendera nos bares da vida. O bebe estava preso por um machado, colado em suas costas como ferro quente. O machado era quatro vezes maior que aquele bebe, e levou muito mais tempo para ser tirado. O bebe, após tanta tremedeira das marretadas e a barulheira, acabou abrindo os olhos observando o ferreiro trabalhar, estava penduradinho, nu e mole no meio de uma caverna pouco iluminada e fedorenta. As vezes a trincha encontrava o metal do machado e soltava um forte faísca que iluminava tudo junto de um barulho “klank”. Isso fazia o bebe rir e, por isso, meio que de proposito, o mineiro fazia as faíscas acontecerem só para ouvir aquelas risadinhas.

Após todo o trabalho conseguiu finalmente retirar o conjunto da obra, um machado ornamentado, com entalhes na antiga e mistica língua dos anões, havia pedras preciosas e um lamina mais afiada que os dentes de um orc e, claro, colado ao lado da lamina, um bebe. O anão acabou se perdendo nas linhas do machado. Eram perfeitas, nunca vira algo assim. Estava tão fascinando que acabou deixando o anãozinho pendurado para olhar do outro lado. Só quando o bebe guinchou reclamando que ele acordou do seu transe e deu atenção a pepitinha colada ao machado. “O que será que isso significa?”, pensava o mineiro. “Um bebe colado em um machado incrível como esse”. Sua criatividade não permitiu ir muito longe, então colocou o machado e o bebe no carinho de mão. Deu uma olhada no buraco para ver se encontrava alguma pedra fácil de tirar e, sem encontrar nada, seguiu de volta para a cidade. Os monges saberiam o que dizer sobre.

O bebe foi nomeado Klank por sugestão do mineiro e foi ordenado que morasse no templo, sobre os olhos atentos dos sábios anões. Nunca afastaram o bebe do seu machado. Chamavam os dois de irmãos. “Onde está seu irmão?” perguntavam os sábios quando viam Klank sem o machado. “Vá limpar seu irmão”, pediam após um treinamento. Essas exigências de estarem sempre junto fez os dois brigarem, se reatarem, me machucarem e pedir desculpas. No fim, tornaram-se grandes amigos. Klank e seu irmão.

Após os anos, quando viu que os sábios não tinham mais nada a ensinar, decidiu que ia descobrir o mundo. Não queria viver nas minas, preferia o sol no rosto, o vento na barba. E inimigos maiores para seu irmão enfrentar. Saiu meio que sem se despedir. Somente com o irmão no punho e a larga cicatriz nas costas. No meio da mancha vermelha havia uma marca suave, finas linhas que sobraram da enorme cicatriz de quando era um bebe, que diz Paz, na antiga língua dos anões